PRIMEIRA COLUNA. A BUCÓLICA PATROCÍNIO NOS ANOS 30/40

PATROCINIO-1940Curiosidade. É bom tê-la, quando se trata da terra natal. É muito gostoso saber de gente e coisas que antecederam essa glamorosa cidade no que é hoje. Para tanto, as décadas de 30/40 foram as escolhidas. Assim, cenas patrocinenses entre 70 e 90 anos atrás. Narradas por quem praticamente as vivenciou. E escritas em documento manuscrito intitulado “Recordar é Viver”. A autora é a professora Toniquinha Lemos Borges Pereira, residente à Rua Presidente Vargas. Dele alguns fatos que mostram a cidade de outrora.

Foto: Praça da Matriz em 1940. (Marelizio)

 

ESCOLA – A freira Irmã Gislene foi a primeira diretora da então Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio (hoje, Colégio Berlaar). Nos primeiros anos do educandário, ela enfrentou dificuldades, tais como salas de aula improvisadas, água de cisterna, pátios pequenos e energia elétrica (se é que poderia ser assim chamada!) bastante restrita.

 

– As freiras e alunas internas eram obrigadas a assistirem missa, diariamente, às 06h30min da manhã, celebrada por padre holandês (a missa era em latim e o sacerdote ficava de costas para os fiéis). Aluno interno, tal como no Ginásio Dom Lustosa, era aluno(a) de outras cidades, pertencente ao internato (moradia) na própria escola. Patrocínio era o maior e melhor polo educacional da região.

 

RIGOR – O uso do uniforme era impecável (no Dom Lustosa também). Sapatos sempre engraxados e meias pretas cerzidas. Cada 1º domingo do mês, com severa vigilância das freiras, as alunas internas, em fila bem organizada, davam uma volta pelas ruas centrais. E só. O resto era estudar.

 

DIVERSÃO HOLANDESA – Os padres holandeses possuíam no Ginásio Dom Lustosa, onde residiam, uma mesa de sinuca (suspeita-se que até Padre Eustáquio gostava de uma sinuquinha). Já Padre Caprázio cuidava de um minizoológico, inclusive pequenas cobras na Escola, além de bom laboratório de Química e museu, bastante organizados.

 

ENERGIA – O dia para pagamento da conta de luz era anunciado para a população “apagando e acendendo”, por três vezes, as lâmpadas! (A energia era produzida por pequena usina hidroelétrica próxima à Serra do Cruzeiro. A empresa se chamava Companhia de Luz e Força de Patrocínio, que pertencia aos patrocinenses.) Os eletricistas eram Jason Santos e Iracy Alves.

 

COMÉRCIO – Loja Bandeira Vermelha. Casa Mansur (de Antônio Mansur e José Mansur). Casa Armênia (de Demostenes Amaral, na Praça Santa Luzia). Casa Facury e da Casa do Tuniquinho (ambas, na Av. Rui Barbosa). Casa da Ginuca (Rua Gov. Valadares). Dragão das Louças. Casa Manuel Nunes. Casa São Paulo (do libanês Chucre). Casa Libanesa (do Jamal). Casa das Linhas. Casa dos Calçados. Casa Stela (de Joaquim Dias). Loja Moisés. E outras lojas inesquecíveis.

 

COMO VIAJAR – Para ir a Belo Horizonte, Ibiá ou Monte Carmelo pelo “trem de ferro (Rede Mineira de Viação) na 1ª classe tinha que usar chapéu, boina e guarda-pó (tipo capa leve e clara). A viagem de BH-Patrocínio durava 20 horas!

 

LAZER – Cine Triângulo no Largo do Rosário (hoje, Praça Honorato Borges). Bar e Sorveteria Rio Branco (do Abel Alves Machado, na Praça Honorato Borges). Vaivém também na Praça (movimento em desfile das moças diante de jovens admiradores estáticos, em volta). Show do Baim com saxofone no Clube Itamaraty (Baim, tio do ex-prefeito Betinho), no Edifício Rosário (2º andar).

 

NOVIDADE EM ARTIGOS ESCOLARES – A primeira papelaria do Município pertenceu a Alfredo Borges. Situava no Largo do Rosário (Praça Honorato Borges) com Rua 7 de Setembro (Rua Governador Valadares). A segunda papelaria se localizava também na Rua Governador Valadares, porém em frente ao Instituto Bíblico.

 

PRIMEIRO LEITEIRO – Nessa ocasião, o leite começou a ser vendido na porta das casas, por meio de uma carroça, com latões, puxada por cavalo. Sebastião Rogério tornou-se o primeiro leiteiro da cidade. Ele trazia o leite da Fazenda Cachoeira (região do bairro Morada Nova, hoje). Bem como manteiga (de leite, na linguagem da região) em caixinhas. A fazenda pertencia ao Coronel João Cândido de Aguiar, pai do ex-prefeito Enéas Aguiar (1959/1962).

 

AUTOMÓVEL DE PRAÇA – Era o nome do táxi hoje. O motorista era chamado de chofer (palavra derivada do francês). Os primeiros motoristas de praça patrocinenses foram Milton Marques (ex-chofer de Honorato Borges e marido da primeira miss de Patrocínio, Zaca Botelho), Emídio Santos (Patinho), João de Deus (velocidade máxima: 20km/h), Armando Santos (pai de Xexéu), João Comprido, Luiz Capuano (marido da emblemática professora Lirinha), Fiinho Amaral (primo em primeiro grau deste escriba amador) e José Maria. Único Ponto era na Praça Santa Luzia.

 

 

MÉDICOS – Amir Amaral (prefeito por três vezes), Michel Wadhy (também escritor), José Garcia Brandão (pai do economista Maurício Brandão), Joaquim Cardoso, José Figueiredo (pai do cirurgião plástico José Maurício), Joaquim de Brito, Gustavo Machado (fundador do então Posto de Puericultura), João Afonso, Acrizio Cardoso, Vicente Soares (ex-prefeito), Luciano Furtado e Sílvio Magalhães. Esses doze médicos cuidaram da saúde rangeliana, em anos diferentes, no período de 1930 a 1949. Era normal, o médico visitar o seu paciente em casa, toda manhã. Salve, aquele tempo!

 

DENTISTAS – Cristóvão Botelho (Tó, pai do saudoso Jefé Consolação), Jair Figueiredo, Quinquim Arantes (pai do dentista Eduardo Arantes), Lauro Botelho, Galeno Cardoso, Oscar Silva e a lenda Abdias Alves Nunes. Havia também (e permitido) os dentistas práticos, como Modesto Silveira.

 

 

PEQUENAS MERCEARIAS – À época, eram denominadas “vendas”. Tudo no peso (arroz, feijão, açúcar, sal, etc.) e nada gelado (não havia geladeira). Venda do Juca Polidoro (Rua Cassimiro Santos, esquina com Rio Branco) Venda do Vicente Caldeira (região do Asilo São Vicente), Venda do Juca Vieira, Venda do Benedito Caldeira e Venda do Antônio Alonso (próximo ao Jornal de Patrocínio). Havia outras na cidade, como as do Arlindo Machado, Joaquim de Souza, Valdemar e Agnaldo do Polidoro (Rua Marechal Floriano).

 

POR FIM – A base dessas informações é da professora Toniquinha (mãe da Brígida e Lucélia Borges). Há inserções complementares e explicativas deste cronista. Principalmente, entre parênteses. Breve, outros acontecimentos, pertinentes ao documento focalizado, serão apresentados.

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